Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

domingo, 10 de setembro de 2017

Das aberrações que se veem no prostíbulo virtual mais barato da internet: o Twitter.




Das aberrações que se veem no prostíbulo virtual mais barato da internet: o Twitter. Uma jovem prostituta (a exceção da aparência formosinha, não se pode denominar um ser que escreve "sigam a minha bucetinha" como "acompanhante de luxo" em lugar nenhum do mundo) com muitos seguidores em virtude do conteúdo vulgar que posta, escrevendo, dentre tantas asneiras, uma postagem desta. 
Em tempos em que se luta contra a cultura do estupro, uma criatura pertencente a uma classe, seguidamente, vilipendiada, desrespeitada e menosprezada escreve isso. Com qual intenção? Auto-classificar-se como insaciável, devassa, tarada ou algo afim? Bem, a priori tais características são conditio sine qua non para o exercício desta atividade. 
Em segundo lugar, em meio a homens escondidos em perfis falsos se encontram misóginos perigosos, logo, para que expor-se desta forma, criatura? Não é preciso alardear nas redes sociais ou em vestes vulgares o que se faz entre quatro paredes: basta fazer valer a pena o valor cobrado (e que seja alto, se você se valoriza minimamente!). 
Está na hora das prostitutas, sejam de que nível, cidade ou classe forem, aprenderem a impor respeito, a selecionar clientela e a gerenciar os riscos do seu ofício, porque na hora em que um desses animais (prefiro usar a palavra "homem" para os educados, discretos e finos que não usam está rede para bostificar putaria) resolver judiar-lhe e machucar-lhe, podem ter certeza de que não será um boletim de ocorrência ou o Judiciário machista que irá lhes socorrer. Vocês vão amargar na solidão, a vergonha, a humilhação e o arrependimento por não terem sido, no mínimo, inteligentes e espertas no gerenciamento dos riscos aos quais se expõe. 
Ah! Deixo aqui a sugestão de pesquisa para as mulheres feministas que acham que as prostitutas (sobretudo as mais "baratas") estão sendo "obrigadas" a trabalhar com o sexo: pesquisem no Twitter a exposição, as postagens, os vídeos, as fotos e o vocabulário das mesmas, para ver se, realmente, elas não estão procurando clientes a qualquer custo e sem a mínima "elitização" e seletividade na construção de seus nichos de "mercado". 
Sobre este assunto, leiam está parte do livro "Os homens explicam tudo para mim", de Rebecca Solnit, "precursora" do termo  mansplaining que li na semana que findou: 

Recordei-me que ano passado, alguém me disse que "se os homens maltratam até as esposas, o que se dirá do que podem fazer com as mulheres que eles pagam". Este cidadão salientava os riscos do meu trabalho e, apenas por uma hora em sua vida, foi meu cliente. Após tal afirmativa anojei-me e bloqueei-o, afinal, tal pensamento é, no mínimo, "psicopático": quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo, e ele estava se enaltecendo que, não "era" como os outros. Eu entendi que era pior.
O corpo é meu, a mente também. Eu tenho o direito de refugar clientes, porque eu posso fazer sexo e receber dinheiro, mas jamais admitirei ser estuprada: sem atração, beijos, mimos e carícias não há sexo, há estupro! E eu não aceito homem que não me cativa intelectual e fisicamente. 
Outro dia uma conhecida indagou-me sobre minha rotina e algo assemelhado, com aquele ar de superioridade estilo: "Ai, coitada!". As pessoas têm umas ideias tacanhas e retrógradas de que "prostitutas" são notívagas, mulheres que saem à caça de homens à noite e transam com qualquer um que se disponha a pagar-lhes. Ou seja: mulheres expostas e dispostas a tudo! 
Eu adoro a noite na minha cama, com meus gatos, escrevendo, lendo, assistindo filmes ou num pernoite, antecipadamente pago por um belo e gentil cavalheiro, num belo e luxuoso hotel! 
Nunca sai procurar clientes à noite (ou de dia) e eis aí o nome do meu ofício: "acompanhante de luxo". Homens seletivos me procuram e após passarem pelo crivo da minha seletividade, vem até mim, pagam caro e usufruem da minha excelente companhia. Não apenas no mero aspecto sexual. 
Sim, eu posso ser "diferente" de todas as acompanhantes das quais você ouviu falar ou conheceu. E eu lamento muito por elas, mas aqui, comigo, a história é bem, bem diferente! (Encara quem tem culhões, inteligência, seletividade e bom gosto!). Ademais, minha história é digna, muito digna, digníssima! 
Cláudia de Marchi

2 comentários:

  1. Ela não tem noção do que é ser pega a força eu como vítima de estupro que fui penso que ela só quer se promover!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sinto muito por ti Evelyn...
      Infelizmente tu estás certa, a criatura quer se promover, mas, daí te pergunto: isso é forma de uma pessoa com o mínimo de dois neurônios funcionando no cérebro se promover? A custa da promoção da cultura do estupro que vilipendia os corpos femininos?
      É muita ignorância, anti-feminismo e idiotia juntos.
      Lamentável!
      Super beijo!

      Excluir