Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

“Você acha que eu devo me separar?”

“Você acha que eu devo me separar?”

-Cláudia, cê acha que eu devo me separar?
(Perguntou-me, hoje, via telefone, um velho amigo).
-Você é feliz casado com a sua esposa?
-Não, não sou. Não fosse minha filha....
- Ah, tá! Mas, então você é feliz?
- Não, só amo minha filha.
-Ah, você é casado com a tua filha de 3 anos? Isso é crime...
(Fui interrompida).
- Não, claro que não!
(Se exaltou!).
- Humm...Então você é feliz casado?
- Já disse que não, guria! Tá se fazendo de sonsa ou de cega? C*%$#@&!
(Interrompi).
- Não, não estou. Se você não é feliz, “tá” me perguntando se deve se separar por quê? Eu não sou alter ego de ninguém, amigo! Ademais, se existir alguém neste papo se fazendo de sonso e/ou sendo sonso e/ou se fazendo de cego e/ou sendo cego, não é a minha nobre pessoa...
- Aff! Eu já trai a fulana com uma colega lá do...
(Interrompi novamente).
- Hum! Pensou muito na tua filha e no exemplo que você daria caso ela descobrisse a sua infidelidade?
- Não, “foi” sem pensar em nada.
- Ah, então o que você sente é medo de ser descoberto, mas “tá” em paz com a sua consciência por ser infiel?
- Não muito. Na verdade, nenhum pouco. A sicrana (esposa) vai sofrer muito se eu pedir pra me separar.
- Ah, que vai, vai. Mas, você tá feliz?
- Guria, já disse que não! Você já foi melhor conselheira, praga!
- É que eu sou “daquelas” que acha ser feliz fundamental, porque filhos precisam de exemplo de brio, honra e retidão de conduta dos pais, não apenas de presença constante de um pai infeliz que trai sem pensar e mantém casamento de “foto em rede social”. Isso sem contar que se você for pensar no sofrimento da sua esposa e parentes chegados você vai fazer só o que eles querem para o resto da sua vida... Que, de repente, termina antes do carnaval!
- O que é isso?
- Isso o que? Carnaval?
-  Não! “Casamento de foto em rede social”?!
- É o casamento que a maioria tem: bonito pra ver em foto, (até porque tira fotos bonitas!), e finge que é feliz nas redes sociais. Conheço incontáveis além do seu!
- Ah, sim! Tem outra né Claudinha, filhos crescem e amadurecem. A fulaninha (filha) um dia vai entender tudo, quando não tiver mais essa visão infantil de casamento da “mamãe e do papai”.
- Uau! Você foi sensato agora!
- Mas, então, Cláu: me separo ou não? O que você acha, de coração?
- Acho, de coração, que eu vou dormir! Ou melhor, tenho certeza.
Brasília/DF, 15 de fevereiro de 2017.


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